Pandemia demonstrou importância do digital para o setor público
O digital é fundamental e quase natural na forma como se integra nas nossas vidas, “mas talvez tenha sido durante esta pandemia que no sector público se interiorizou realmente a consciência da sua importância”, referiu a Secretária de Estado da Justiça.
Secretária de Estado da Justiça, Anabela Pedroso
Falando na abertura da Assembleia Geral do Conselho dos Notariados da União Europeia, Anabela Pedroso deixou algumas reflexões sobre a digitalização na Justiça, nomeadamente quanto aos desafios colocados aos governos, à resposta a dar pela Europa como um coletivo, à forma como os profissionais devem adaptar seu trabalho ou mesmo quanto às novas necessidades dos cidadãos e das PME resultantes, sem nunca esquecer os mais vulneráveis.
“Estes foram e continuam a ser os desafios que devem ser enfrentados. Neste período, para os Governos, e aqui falo da minha experiência pessoal, foi importante, até mesmo para a perceção do continuum dos serviços públicos e de que as instituições públicas não pararam”.
Apesar dos problemas e da falta de resposta em algumas áreas, a pandemia veio comprovar “a resiliência e a capacidade de adaptação, que não seriam possíveis se o digital já não fosse uma realidade na grande maioria dos países, especialmente na Europa”, afirmou Anabela Pedroso.
“Nisso, a atuação de todos os atores do ecossistema judiciário - judiciais, cartórios, cartórios, advogados, etc. - foi, é e sempre será, fundamental como pedra angular do sistema democrático e, no seu caso, como cartórios, proporcionando “Segurança jurídica” em muitos aspetos do ciclo de vida dos cidadãos e das empresas”.
Prioridades da Presidência Portuguesa com foco no digital
Durante a sua intervenção, Anabela Pedroso apresentou as prioridades da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, na área da Justiça, destacando que estas englobam as preocupações, os desafios e as oportunidades do Digital, mas em estreita ligação com a necessária promoção de uma cidadania inclusiva, segura e participativa, assente nos direitos e liberdades fundamentais e na proteção dos cidadãos.
“É nosso objetivo promover a resiliência, eficiência e inovação nos sistemas de justiça, colocando as pessoas no centro, alinhadas com a visão europeia do desenvolvimento digital, envolvendo todos os atores do ecossistema da justiça e refletindo as dimensões da transformação digital”, sublinhou Anabela Pedroso
Fazendo a ponte com o trabalho do Conselho dos Notariados da União Europeia (CNUE), Anabela Pedroso indicou que, em muitos aspetos, as prioridades da Justiça para a presidência portuguesa refletem o mesmo propósito, ao reconhecer que a transformação digital deve avançar em condições de máxima segurança jurídica no ambiente digital e que é fundamental que exista uma verdadeira cooperação “entre as instituições europeias, as contrapartes nacionais e todas as partes interessadas no domínio da justiça”, para que haja sucesso.
“A transformação digital é agora, mais do que nunca, de máxima prioridade”, afirmou a Secretária da Justiça, sublinhando que a Presidência Portuguesa reconhece isso no programa semestral. “A área da Justiça não é exceção e, como disse, nas nossas prioridades, as TIC ocupam um lugar especial. Mas, apesar de sua importância, não é um fim em si mesmo. A tecnologia só faz sentido quando utilizada a serviço das necessidades das pessoas e como resposta às suas expectativas”.
Para Anabela Pedroso, a pandemia mostrou, ao mesmo tempo, as fragilidades e o melhor do uso humano da tecnologia. “Na Justiça, a capacidade de reinventar e dar um melhor uso a tecnologias menos utilizadas, como a videoconferência, ou ousar ir mais longe no desconhecido, como a Inteligência Artificial, são bons pontos de partida para um futuro próximo”.
Em qualquer caso, não podemos esquecer que, com as novas tendências, surgiram novos desafios e se realmente queremos alcançar uma Justiça para todos, será necessário encontrar o equilíbrio certo entre o movimento “fast and furious” da tecnologia e por vezes o “slow motion” de comportamentos e cultura organizacional, destacou a Secretária de Estado da Justiça, “e principalmente, nunca esquecermos porque e para quem trabalhamos: os cidadãos”.